terça-feira, 20 de outubro de 2020

 


Pitangas

I

Não são só nozes furadas,

No Alentejo também há beleza,

Olhem lá estas pitangas,

Se não são uma lindeza?

II

Também já tem clientes,

Saborosas como são,

Já aparecem picadas,

Na árvore e no chão,

III

Escolhe sempre as melhores,

Na árvore dependuradas,

Vermelhas e maduras,

Suportam suas picadas.

IV

Não sei qual é o magano,

Que lhe diferencia a cor,

Logo que amadurecem,

Ele vai experimentar o sabor.

V

Só lhe comendo a polpa,

O caroço não lhe agrada,

Saltitando de ramo em ramo,

Muita deixa lá picada.

 

 

 

VI

É mínimo o prejuízo,

Enorme a alegria,

Ver aquela passarada,

Voando por ali todo o dia.

 

Rio de Mouro 20-10-2020



Francisco Parreira.


quinta-feira, 8 de outubro de 2020

 Vivências

Arrependido

Homem de estatura media, oriundo do meio rural, de trato fácil mas reservado, analfabeto, com sessenta anos feitos, recluso no Estabelecimento Prisional de Monsanto, em cumprimento de pena máxima por homicídio, na década dos anos sessenta, do século passado, quando atingiu a parte da pena exigida, e, dado o seu bom comportamento prisional, o Director do Estabelecimento Prisional, propô-lo para a concessão da liberdade condicional.

A proposta foi recebida no Tribunal de Execução de Penas, o processo foi instruído e seguiu termos normais, foi ouvido o recluso, que se mostrou muito agradado, foi proferida a sentença favorável ao pedido expresso e procedeu-se à notificação do arguido.

Após ser notificado, o arguido reuniu seus parcos haveres, recebeu o pecúlio a que tinha direito e saiu em liberdade, “ condicionada “.

Na paragem em frente ao Estabelecimento Prisional apanhou o autocarro da carreira número 11, seu destino era procurar familiares, que esperava encontrar, num bairro degradado, junto à Praça de Espanha, onde desceu.

Nos anos que esteve preso, e, foram muitos, toda aquela zona sofreu grandes alterações, onde era a antiga feira popular, estava e esta, a Gulbenkian, espaço totalmente diferente, o bairro onde ele esperava encontrar familiares, havia sido demolido e servia de estaleiro de obras em curso. Tudo mas mesmo tudo por ali estava diferente, para ele era desconhecido.

Consciente da sua condição de precária liberdade, na Avenida de Berna, numa casa de frutas existente, pegou num cacho de bananas, pô-las às costas e seguiu, logo foi barrado pelo dono do lugar que chamou a polícia, não ofereceu qualquer resistência, imediatamente foi detido.

Constituído o processo na Polícia de Segurança Pública, foi o detido levado à presença de um Juiz onde foi ouvido e condenado, perendo assim a tão almejada  liberdade  condicional, que lhe fora consedida.

O detido foi ouvido pelo Juiz, mostrou-se arrependido, pediu para regressar à cadeia de onde tinha saído, dois dias antes e ao serviço que lá costumava executar, ele fora o ordenança do director do Estabelecimento, estava mais tempo no exterior dos edifícios do que no interior dos mesmos. Disse mesmo ao Juiz: SIC “ Senhor Doutor Juiz, cumprirei o resto da pena, e, se possível prolongue-me a prisão, para que eu não saia de lá mais, sem familiares não saberei mais viver em liberdade “.

Voltou novamente à condição de recluso, para cumprir o que lhe faltava da pena, foram-lhe aplicados mais dois anos pela desobediência.

Do tribunal seguiu para o Estabelecimento Prisional de Monsanto e não mais fomos contactados.

 

Rio de Mouro 03-10-2020 – Francisco Parreira.

 A Batalha das Berlengas

Esta batalha teve como senário o Oceano Atlântico e o Forte de São João Baptista, edificado na Berlenga Grande, foi travada no ano de 1666, durante a guerra da restauração, entre portugueses e espanhóis.

O forte era à altura chefiado pelo cabo António Avelar Pessoa, e, tinha uma guarnição de pouco mais de vinte homens, enquanto a frota espanhola sediada em redor das ilhas, nas profundas águas oceânicas, era comandada por Diogo de Ibarra, composta por 15 embarcações e centenas de homens.

A finalidade do cerco e ataque era raptar a rainha D. Maria Francisca de Saboia, na sua chegada ao reino de Portugal, para impedir que casasse com D. Afonso VI.

A frota invasora ia destruindo tudo ao seu alcance, já tinha destruído as pescas portuguesas, bombardeadas as cidades ao longo da costa, por onde passava, cortava o fornecimento de alimentos por via marítima, tudo isto em apenas um mês.

Em dois dias de bombardeio naval, as perdas foram proporcionais ao poderio, quem mais tinha mais per deu, foi afundada a nau Covadonga e foram danificadas outras duas, que foram afundadas no regresso a Cadis.

Após a heróica resistência e a traição de um desertor foi tomado e destruído o forte, a guarnição restante capturada, sendo o cabo António Avelar Pessoa ferido em combate, transportado para Peniche.

Cerca de cem anos mais tarde foi reconstruída a fortaleza e aumentado o seu poder de fogo.

Na época presente o barco que faz a carreira entre Peniche e Berlenga, tem o nome do valoroso cabo António Avelar Pessoa,

Rio de Mouro 08-10-20

Francisco Parreira  

terça-feira, 22 de setembro de 2020

 

EQUINÓCIO DE OUTONO 2020

I

Como estava saudoso,

Estou agora a perceber,

Aqui onde estou sentado,

Alegre vejo chover.

II

Chegou com sacola ao ombro,

O carteiro vai a passar,

La vai para aquele lado,

Uma carta entregar,

III

As gaivotas nos visitam,

Por aqui a esvoaçar,

As gaivotas em terra,

Tempestade no mar.

IV

Procuram algum alimento,

Que alguém vai atirar.

Para os pombos em bando,

Que acorrem a debicar.

 

 

VI

Neste desigual duelo,

Para alimento encontrar,

São as gaivotas que vencem,

Levam tudo sem poisar.

VII

Rajadas de vento sul forte,

Sopram para castigar,

As indefesas árvores,

Que rodopiam sem parar.

VIII

Os efeitos são nefastos,

Como agora podemos ver,

As pernadas estão no chão,

Continua a chover.

IX

Visível foi o relâmpago,

Audível foi o trovão,

Amanhã já é Outono,

Acaba assim o Verão.

 

Rio de Mouro 21-09-2020

Francisco Parreira

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

 Gratidão

Sendo a gratidão o reconhecimento de um benefício, é uma palavra que nunca esqueço e que pronuncio constantemente com muita convicção. Hoje muito agradeço ao meu ex-colega, que quando eu procurava casa, me convidou a vir a esta zona, onde ele já morava e que eu mal conhecia, onde acabámos por ficar, obrigado amigo, foi graças a ti que reencontrei e conheci pessoas ainda familiares e amigos que muito estimo, que foram e são amigos para todos os momentos.

Também estou muito grato aos fregueses desta terra que bem me acolheram e onde me sinto como peixe em água despoluída.

Foi também aqui que para a minha terceira idade, encontrei um Porto de Abrigo, que se chamava “ Projecto Criar Afectos “, hoje chama-se USCARM, a minha gratidão a todos os que contribuíram para a sua transformação e crescimento. Criando esta grade família onde nos sentimos bem, somos amigos, temos um grupo de pessoas que dão o seu melhor, sem nada em troca, para que nos sintamos bem e ocupados,  temos também a incansável Doutora Marisa Pereira, que com a sua luz nos alumia e com o seu saber, os bons caminhos nos indica, ampara e fortalece.

Rio de mouro 

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

 A minha História - Documento a enviar para a USCARM

1) Nome? Francisco Maria Beja Parreira.

 2) Idade? Tenho 76 anos.

3) A minha história é a persistência da minha memória.

4) Do que gosto? Gosto de caminhar, gosto de alguns desportos, gosto de são convívio, gosto de passear e sobretudo passeios temáticos, para ver e aprender, gosto de teatro, gosto de ler escrever, gosto de fazer parte da família USCARM.

5)De que não gosto? Não gosto de qualquer género de fanatismo, não gosto de criticar por criticar, não gosto de descriminações humanas, não gosto de difamação, não gosto de apertos, não gosto de trânsito caótico.

6) Onde nasci? Nasci na freguesia e conselho de Santiago do Cacem.

7) O brinquedo de infância proferido? O brinquedo favorito, arco e a gancheta.

8) Como me defino? Defino-me uma pessoa séria e honesta, amigo dos meus amigos, e sempre proto para a ajudar.

9) O que melhor podem dizer de mim? O melhor que podem dizer de mim é a verdade, tanto para o bem como para o mal, porque quem não deve não teme.

10) Onde conheceu sua mulher? A minha mulher conhecia na terra da nossa naturalidade, Santiago do Cacem.

11) Quantos filhos e netos? Tenho dois filhos e um neto.

12) Se pudesse escolher três coisas quais seriam?

a) Pedia que os líderes religiosos, Políticos e monetários mundiais se entendessem e acabassem com as inúteis guerras, minguassem a fome e a miséria mundiais e todos pudéssemos viver mais iguais;

b)Que os dinheiros gastos em investimentos megalómanos, parte dele fosse investido na medicina, para todos termos direito a melhor saúde;

c) Por último pedia que quando chegado o momento de partirmos, partíssemos em paz e sem sofrimento.

13) Escolha: um livro, um filme e uma música? Como livro, lembro Papillon, como filme Musica no Coração, como musica mais moderna qualquer de André Rieu.

Rio de Mouro 17-09-2020 Francisco Parreira.  

quinta-feira, 3 de setembro de 2020


ÁRVORE GENEALÓGICA
Para nascer precisamos de:
2 Pais
4 Avós
8 Bisavós
16 Trisavós
32 Tetravós
64 Pentavós
128 Hexavós
256 Heptavós
512 Oitavós
1024 Éneavós
2048 Décavós
Apenas no total das 11 últimas gerações, foram necessários 4.094 ANCESTRAIS, tudo isso em aproximadamente 300 anos antes de eu ou tu nasceres!
Pára um momento e pensa...
- De onde eles vieram?
- Quantas lutas já lutaram?
- Por quanta fome já passaram?
- Quantas guerras já viveram?
- A quantas vicissitudes sobreviveram os nossos antepassados?
Por outro lado, quanto amor, força, alegrias e estímulos nos legaram?
Quanto da sua força para sobreviver, cada um deles tiveram e deixaram dentro de nós para que hoje estejamos vivos.
Só existimos graças a tudo o que cada um deles passou