sábado, 11 de outubro de 2014

Zé Ninguém, artista de Circo
A vila foi-se mostrando aos poucos como se ele a descobrisse enquanto crescia. Uma revelação a cada instante para aquela criança!
Zé Ninguém olhava o mar tentando alcançar toda a sua distância. Olhava os navios que chegavam como os marinheiros que partiam. Aliás, a vila foi sempre o seu mundo durante toda a sua pequena idade. Aquele ar tinha o cheiro de vida pura, embora dura.
De olhar mais para o centro da vila viu, de repente, um enorme toldo de muitas cores. Quase não acreditou que pudesse estar ali um circo. A correr dirigiu-se àquele espaço mágico. Logo que chegou àquela praça encontrou um homem, gordo e baixo, a retirar dum saco um par de sapatos enormes que este tinha concertado.
- Mas, senhor, que sapatos são esses? – indagou Zé Ninguém.
- São dum artista de circo, são do Palhaço Zéquinha.
O circo acabava de armar-se quando um ajudante de pista, a mando do proprietário, chegou para levantar os sapatos do palhaço. Depois este e Zé Ninguém aproximaram-se daquele circo, de pano grosso e colorido, ocupando o enorme largo. Dois mastros de ferro sustentavam-no.
Uma entrada apenas e logo apareceu um homem alto e distinto.
- Os sapatos do palhaço, disse o ajudante de pista.
Que aconteceu naquele momento?
O Zé Ninguém viu aquele homem que tinha os sapatos embrulhados e não sabia que estava de frente do Palhaço Zéquinha. Então este perguntou-lhe:
- Tu já viste um circo?
- Já – respondeu ele.
- Assim, sem espectáculo?
- Assim, não!
As bancadas em círculo estavam vazias. O picadeiro em silêncio. Nos fundos, lados opostos aos camarins, as jaulas do leão e do tigre. Também um elefante, pesado e muito manso, parecia como se estivesse adormecido. Estacaram em frente às jaulas e Zéquinha apresentou:
- Meus amigos, estes são alguns dos animais do circo!
Era como uma estranha natureza: mistura de magia e medo, inocência e poder que se reflectia no Zé Ninguém. Depois acrescentou, com um riso a formar-se nos lábios:
- Somos como ciganos, que andamos de terra em terra.
- E que faz o senhor no circo?
- Anda ver. Puxou-o pela mão e retomando às bancadas pediu-lhe que se sentasse.
O Zé Ninguém sentou-se naquela atmosfera mágica: sem vozes e ruídos, olhando aquele espaço enorme, à espera que algo de extraordinário acontecesse naquela pista vazia.
Então as luzes acendem-se e surgem alguns músicos a tocarem um tema musical circense. Zéquinha aparece já com o seu fato de palhaço a tomar o seu lugar no centro da pista, surgindo logo dois companheiro que com ele formam a sua parelha de palhaços e o ajudam nos diversos números cómicos.
- Muito obrigado! – foi tudo o que o Zé Ninguém conseguiu dizer no final daquela deslumbrante actuação.
Depois saiu daquele local. Rua abaixo, aquela imagem artística não lhe largava a mente. Aquela manhã que parecia nunca mais ter fim, mostrava-lhe um largo coberto de caravanas onde se fabricava “o melhor espectáculo do mundo”, com sonhos de mil especialidades, embora à custa de muito trabalho e criatividade.
Depois daquele dia, Zé Ninguém ficou mais rico. Sentia-se alguém, independentemente de continuar na rua, a deambular de lugar para lugar, a dormir aqui e acolá. Mas teve o privilégio de ver o circo por dentro. Teve atenções de honra. Aprendeu a sonhar e agora sabia como deveria ocupar o seu tempo: ser artista de circo. E a rua teve menos um sem abrigo, um Zé Ninguém, porque este acreditou que era possível ser alguém!
Luciano Reis

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Gabriel Garcia Marquez
Nasceu em Aracataca/Colômbia a 6 de março de 1927.
Morre a 17 de maio de 2014 na cidade do Méxixo/México.
Foi escritor, jornalista, editor, activista plitico.
Obras literárias: relato de um naufrago, cem anos de solidão, cheiro de goiaba e tantos outros.
Obras jornalisticas 5 crónicas.
Foram-lhe atribuídos vários prémios literários,  nobel da literatura 1982 e tantos outros.
Quando jornalista se necessário inventava as notícias.
Transcrição –
<  Em 1954 , o jornal colombiano El Espectador envia um de seus jovens jornalistas, Gabriel Garcia Márquez, para cobrir um grande protesto contra o governo na remota cidade de Quibdó, no estado de Chocó.
Após dois dias viajando na selva, Garcia Márquez e seu fotógrafo chegam finalmente a seu destino e têm uma surpresa: a cidade de Quibdó está completamente calma. O correspondente local do El Espectador, Primo Guerrero, havia inventado fatos que narrou para a redação em Bogotá.
Ou seja, Garcia Márquez percebeu que os protestos não ocorreram. Diante do panorama, o jovem jornalista diz a Guerrero que não quer voltar para a capital de mãos vazias. Os dois fazem um acordo e, “ com tambores e sirenes “ convocam e organizam um protesto para escrever a reportagem e tirar as fotos.
A matéria é publicada no El Espectador com o título História Intima de uma manifestação de 400 horas e, nela, Garcia Marquez afirma que o protesto durou 13 dias, “ nove doa quais choveu de forma implacável “.
A reportagem dizia que, sob a chuva, oa manifestantes choravam e se lavavam na via pública.
Anos mais tarde, ao se lembrar do episódio, em uma entevista  com o jornalista Daniel  Samper, o escritor confessou;  “ inventávamos cada notícia ...” >
Na escrita de Gabriel Garcia Márquez é possível detectar o hiperbolismo, o exagero e invenção,  em diferentes etapas do seu jornalismo, um fenómeno enquadrado na sua escrita a que chamam “ realismo mágico “ de Garcia Márquez.
O seu encanto no jornalismo não eram as páginas editoriais, mas o trabalho de reportagem que o mobilizava e quando não encontrava  a reportagem  a inventava.
Alguns textos jornalisticos são anedotas ficcionais.
Em 1948 o autor Garcia Márquez dedicou uma coluna de um jornal a um poeta “ César Guerra Valdez “, fazendo dele um autor d cinco livros. Mais tarde vereficou-se que o poeta César Guerra Valdez nunca existiu.
No jornal El Heraldo de Barranquilla, onde trabalhava, começou a publicar reportagens dobre a vida e os milagres de uma estravagante marquesa Alemã......mais tarde numa das suas colunas  recria o diálogo com a Alemã e acaba dizendo  que todos os seus personagens são imaginários.
No El Espectador de Bogota, à época o segundo maior jornal da Colombia, publicou  em capitulos a grande reportagem “ relato de um naufrago, em 1955,  aparecendo mais tarde escrito em livro sem sua autorização. Esta reportagem teve tão grande repercussão politica que lhe valeu o exílio, foi enviado para a Europa como correspondente
MÁRIO DE SÁ CARNEIRO
Eu,  Mário de Sá carneiro, nasci em Lisboa em 19 de Maio de 1890.
Minha família é auto-borguesa, sou neto e filho de militares.
Fiquei orfão de mãe aos dois anos de idade. Fui criado pelos avós, na quinta da Vitória em Camarate, onde passei  grande parte da minha infância.
Iniciei-me na poesia aos doze anos de idade. Com 15 anos comecei a traduzir Victor Hugo  e com 16 traduzi Goethe Schilder.
Em 1911, com 21 anos ingressei na Faculdade de Direito em Coimbra, não tendo terminado o ano académico, conheci ali o meu melhor amigo e confessor, Fernando Pessoa.
Desiludido com a cidade dos estudantes, rumei a Paris, para prosseguir os estudos, com o auxilio do meu pai, na Univercidade de Sorbonne.
Pouco tempo depois abandonei as aulas, dediquei-me à vida boémia, frequentei cafés e salas de espectáculos.  A ajuda do meu pai não era suficiente, passei fome, desesperado tive uma ligação imocional com uma prostituta, para combater as  frustações e desesperos.
Psicologicamente instável e socialmente inadaptado, sendo neste ambiente que  compus  a maior parte da minha poesia, mantendo  a minha correspondência com o meu amigo e confidente Pessoa.
Entre 1913 e 1914 vim com frequência a Lisboa, acabando por ficar por cá e na companhia de Fernando Pessoa e Almada Negreiros integrei o primeiro grupo Modernista  Português.
Pretendiamos escandalizar a sociedade burguesa e urbana da época, através da revista literária “ Orpheu “.  Ficámos conhecidos  pelo Grupo Orpheu, um escândalo literário, motivo pelo qual só sairam os dois primeiros números, março e junho de 1915, o terceiro foi impresso mas não publicado, sendo nós alvos de chacota social, mesmo assim somos reconhecidos uma das marcas  da literatura portuguesa.
Também colaborei em diversas revistas, a Alma Nova, Contemporânea, Píramede e Sudoeste, estas duas  últimas só depois de  Abril de 1916, deram voz à minha colaboração.
Em 1915 regressei a Paris, mas em crescente angustia, escrevi bastantes cartas ao meu  amigo e confidente Pessoa.
A vida assim  não me agrada e a que idealizo tarda em se concretizar.
Numa hora de maior angustia, adquiri 5 frascos de arseniato de estricnina, escrevi ao confidente Fernando Pessoa a ultima carta “ cart de despedida “ onde relato as minhas razões, demorei ainda alguns dias a enviar a carta, mas logo que a enviei regressei ao hotel Nice , no bairro Montmartre,  ingeri o conteúdo dos frascos e adormeci  a 26 de Abril de 1916.
< Meu querido Amigo
A menos de um milagre na próxima segunda-feira, 3  ( ou mesmo na vespera ), o seu Mário de Sá-Carneiro tomará uma forte dose de estrecnina e desaparecerá deste mundo. É assim tal e qual – mas custa-me tano escrever esta carta pelo ridículo que sempre encontrei nas “ cartas de  despedida “.... Não vale a pena lastimar-me, meu querido Fernando:  afinal tenho o que quero: o que tanto sempre quis – e eu, em verdade, já não fazia nada por  aqui...já dera o que tinha a dar. Eu não me mato por coisa nenhuma:  eu mato-me porque me coloquei pelas circunstâncias – ou melhor: fui colocado por elas, numa aurea temeridade – numa situação para a qual, a meus olhos, não há outra saída. Antes assim. É a única maneira de fazer o que devo fazer. Vivo há quinze dias uma vida como sempre sonhei:  tive tudo durante eles: realizada a parte sexual, enfim, da minha obra – vivido o hesterismo do seu ópio, as luas zebradas, mosqueiros roxos da sua ilusão. Podia ser feliz mais tempo, tudo me corre,  psocologicamente, às mil maravilhas, mas não tenho dinheiro. (.....) >
Mário de Sá-Carneiro,carta para Fernando Pessoa, 31 de Março de 1916

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Gabriel Garcia Marquez
Nasceu em Aracataca/Colômbia a 6 de março de 1927.
Morre a 17 de maio de 2014 na cidade do Méxixo/México.
Foi escritor, jornalista, editor, activista plitico.
Obras literárias: relato de um naufrago, cem anos de solidão, cheiro de goiaba e tantos outros.
Obras jornalisticas 5 crónicas.
Foram-lhe atribuídos vários prémios literários,  nobel da literatura 1982 e tantos outros.
Quando jornalista se necessário inventava as notícias.
Transcrição –
<  Em 1954 , o jornal colombiano El Espectador envia um de seus jovens jornalistas, Gabriel Garcia Márquez, para cobrir um grande protesto contra o governo na remota cidade de Quibdó, no estado de Chocó.
Após dois dias viajando na selva, Garcia Márquez e seu fotógrafo chegam finalmente a seu destino e têm uma surpresa: a cidade de Quibdó está completamente calma. O correspondente local do El Espectador, Primo Guerrero, havia inventado fatos que narrou para a redação em Bogotá.
Ou seja, Garcia Márquez percebeu que os protestos não ocorreram. Diante do panorama, o jovem jornalista diz a Guerrero que não quer voltar para a capital de mãos vazias. Os dois fazem um acordo e, “ com tambores e sirenes “ convocam e organizam um protesto para escrever a reportagem e tirar as fotos.
A matéria é publicada no El Espectador com o título História Intima de uma manifestação de 400 horas e, nela, Garcia Marquez afirma que o protesto durou 13 dias, “ nove doa quais choveu de forma implacável “.
A reportagem dizia que, sob a chuva, oa manifestantes choravam e se lavavam na via pública.
Anos mais tarde, ao se lembrar do episódio, em uma entevista  com o jornalista Daniel  Samper, o escritor confessou;  “ inventávamos cada notícia ...” >
Na escrita de Gabriel Garcia Márquez é possível detectar o hiperbolismo, o exagero e invenção,  em diferentes etapas do seu jornalismo, um fenómeno enquadrado na sua escrita a que chamam “ realismo mágico “ de Garcia Márquez.
O seu encanto no jornalismo não eram as páginas editoriais, mas o trabalho de reportagem que o mobilizava e quando não encontrava  a reportagem  a inventava.
Alguns textos jornalisticos são anedotas ficcionais.
Em 1948 o autor Garcia Márquez dedicou uma coluna de um jornal a um poeta “ César Guerra Valdez “, fazendo dele um autor d cinco livros. Mais tarde vereficou-se que o poeta César Guerra Valdez nunca existiu.
No jornal El Heraldo de Barranquilla, onde trabalhava, começou a publicar reportagens dobre a vida e os milagres de uma estravagante marquesa Alemã......mais tarde numa das suas colunas  recria o diálogo com a Alemã e acaba dizendo  que todos os seus personagens são imaginários.
No El Espectador de Bogota, à época o segundo maior jornal da Colombia, publicou  em capitulos a grande reportagem “ relato de um naufrago, em 1955,  aparecendo mais tarde escrito em livro sem sua autorização. Esta reportagem teve tão grande repercussão politica que lhe valeu o exílio, foi enviado para a Europa como correspondente.