terça-feira, 5 de março de 2019

A guerra dos pimentos
No século anterior os brinquedos oferecidos aos filhos e netos, eram bonecas às raparigas e armas, principalmente espingardas aos rapazes, e, sem opção de escolha, sobretudo nos meios rurais, pois eram esses brinquedos que se encontravam à venda nas feiras anuais.
Quer gostassem ou não de guerras, a isso eram incentivados a brincar, muitas vezes os rapazes com armas ou sem elas, tudo servia para fazer de espingarda, quase tudo era arremessado como se fossem balas e as guerras surgiam do nada.
Num agradável dia de Outono, quando aqueles quatro amigos corriam e brincavam, comandados pelo seu chefe Deodato, o mais velho dos quatro, encontraram junto a umas hortas, um amontoado razoável de pimenteiros que haviam sido arrancados nas hortas, para libertar terra para outras culturas, os quais ainda tinham bastantes pimentos pequenos e grandes, verdes ou vermelhos. O mais novo, o Virgulino arrancou um pimento, atirou-o ao chefe, atingiu-o sem o magoar, foi o rastilho que fez desencadear uma guerra.
De um lado o Deodato e o Virgulino, do outro lado o Canelas e o Valverde. À ordem do Deodato a guerra começou, com o arremesso incontrolável de pimentos, o terreiro da contenda, era todo aquele espaço de hortas em redor do monte de pimenteiros, de onde os guerreiros arrancavam de qualquer maneira os pimentos, chegando mesmo a esborrachá-los e atirando-os uns contra os outros.
Aquela guerra a que deram o nome de “ guerra dos pimentos “, por serem esses usados como munições, durou pouco, não pela falta de munições ou perda de algum guerreiro, mas pela sua inexperiência. Quase em simultâneo os quatro valentes guerreiros, entraram numa aflição tal, num pranto, tomados pelo medo de perder a visão, quanto mais os olhos esfregavam, mais eles lhes ardiam, o susto era tal, que gritavam uns para os outros que iam ficar cegos e o que lhes fariam os pais.
Um ancião trabalhador daquele latifúndio, o senhor José Soromenho que também ali tinha uma horta, onde criava vários produtos, para uso caseiro e acrescentar algo à pequeníssima jorna que o patrão lhe pagava. Ao ouvir aquela gritaria de aflição, foi ver e saber o que se estava a passar com aquelas crianças. Quando chegou e viu aquele cenário, esbodegadas mãos e cara com massa de pimentos, indagou o que tinha acontecido, acalmou-os, mandou-os parar de esfregar os olhos, suportando o ardor, convidou-os a irem para junto de uma vala de água limpa, foi à horta buscar sabão, primeiro lavaram muito bem as mãos, só depois os olhos até que não ardessem, mas continuariam vermelhos por algum tempo. Depois de ultrapassada a grande aflição, o ancião que os conhecia, tal como eles o conheciam a ele, perguntou-lhes se queriam saber porque lhes aconteceu aquilo aos olhos? Os quatro a uma só voz disseram que sim. Não sei se sabem que também alguns pimentos são queimosos e junto com os pimenteiros há malaguetas daquelas grandes, que se usam na conserva das carnes, ao sumo dos pimentos e malaguetas que rebentaram, esfregando depois os olhos provocou tudo isso, que vai passar com o tempo.
 Foi tão estrondosa aquela derrota, que aqueles guerreiros e amigos nunca mais quiseram fazer guerras. 04-03-19 – Francisco Parreira

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

projecto criar afectos
Uma festa muito boa,
aquela onde estive hoje.
naquela aconchegada sala,
em Fitares, na Rinchoa.
Onde deram a cara e o peito,
os voluntários castiços
para mostrar,
todo o trabalho feito.
Com amor e dedicação,
para no sexto aniversário
do Projecto Criar Afectos,
fazer a representação.
O Projecto está maior,
cresceu muito,
tem agora novo nome,
é a Universidade Senior.
Por muitos acarinhada,
criticada por descrentes,
esta nova valia,
em Rio de Mouro locada.
como manda a legislação,
de papelinho passado,
agora é a USCARM,
que trago no coração.
09-02-15
Francisco Parreira
Foi o Criar Afectos
Que a ÉvoraMonte me levou
Num temático passeio
Uma viagem com vida
Com paragens pelo meio
Onde eramos esperados
Por uma sábia guia
Tudo explicava e dizendo
Razão dos portões fechados
Daquele imponente Castelo
Que da casa de Bragança
Em tempos idos foi pertença
Sendo por ali também
Resolvida a desavença
Entre aquele par de irmãos
Que pelo poder lutava
Sem querer fazer cedência
Era o povo que tramava
Tudo ela explicava
Por onde nos levava
Sempre muito acertadinha
Levou-nos ao artesanato
Onde bebemos uma ginjinha
Passando pela degradada igreja
Até à fachada Misericórdia
Com a sua igrejinha
Ali foi a despedida
Após ter explicado o restante
Dali subimos a ladeirinha
Fomos ter ao restaurante
Recebidos à maneira
Foram servidas entradas
Almoçamos jardineira
Arroz doce para sobremesa
Tudo uma guloseima
A seguir veio a surpresa
Uma ida a Estremoz
Ver aquela pedreira
Com tamanha profundeza
Que custa a acreditar
Agora com tempo livre
Fomos todos passear
Eu fui ao Museu de Arte Sacra
Subi 5 vãos de escada
Estreitinha e bem cuidada
De azulejos bem bonitos
Estava a mesma ladeada
Chegados ao 3º andar
A chave do Museu faltava
A desculpa apresentada
E acabada a visita
Sem ser sequer iniciada
Não me perdendo na volta
Fui direito à vendedeira
E ali comprei bolota
Tudo estava nos trincos
Os ponteiros não paravam
Eram já quase cinco
Boa hora de voltar
Daquela terra de mouro
Fizemos boa viagem
De regresso a Rio de Mouro
Francisco Parreira
6 Nov. 2013

Biografia encenada

Marcha dos Afectos 2013

Criar Afectos nas festas da VILA

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Parabéns CRIAR AFECTOS
Os começos têm uma magia difícil de explicar…
Trazem a beleza da primeira vez.
“Acaba a praia, começa a minha solidão”
Foi a frase que fez nascer este projecto.
Este projecto que se tornou de AFECTOS… de NOME e de REALIDADE.
Chegámos…
Mudámos a resposta social da freguesia…
Colocámos as pessoas em primeiro lugar e fizemos do combate à solidão a nossa bandeira.
Passo a passo, fomos crescendo, criando laços, derrubando pré-conceitos, promovendo novas experiências, permitindo superação.
Dia após dia fizemos do nosso caminho… um caminho de AFECTOS.
Dentro da nossa história, contam-se outras histórias… que no fundo são a nossa…
Nesta história somos todos actores principais pois é preciso cada um de nós para a construir.
Esta história… a nossa história.
O CRIAR AFECTOS mudou vidas…
O CRIAR AFECTOS permitiu dar novo brilho, a olhares tristes…
Permitiu tirar do báu sonhos antigos e realizá-los…
Permitiu criar redes de ajuda…
Possibilitou aprender coisas que nunca imaginaram aprender.
O CRIAR AFECTOS tornou-se um Porto de Abrigo.
Obrigada presidente Filipe por ter decidido que era a hora de dar mais… por nos ter permitido começar a caminhada.
Obrigada presidente Bruno pela forma como sente os afectos e por ter tido a vontade de nos fazer crescer.
Obrigada a todos que na retaguarda ajudam a fazer uma linha da frente positiva e de qualidade…
Obrigada Luis, por estes 10 anos de companheirismo e ajuda. Formamos uma dupla imbatível, move-nos a vontade de fazer o melhor por cada uma destas pessoas.
Obrigada Isabel, pela amizade e confiança…
Obrigada Eva, pela sensibilidade e ajuda…
Obrigada Laurette pela ajuda e dedicação…
Obrigada Celeste, pela doação e vontade…
Obrigada Dulce, pela dedicação constante e gargalhada inconfundível…
Obrigada Isabel Pereira, pela ternura e bondade…
Obrigada Galvão, pela dedicação e vontade…
Obrigada Armando, pela simplicidade e boa vontade…
Obrigada António, pela generosidade e coragem…
Obrigada Hélder, Luciano, Pedro, Sandra, Margarida, André…
Obrigada a todos os alunos e alunas.
Obrigada pela confiança, pelo carinho, pelos sorrisos, por os abraços… por me darem o enorme privilégio de fazer parte das vossas vidas.
É uma honra a vossa amizade, amor e confiança…
Sem cada um de vocês nada existia…
Estes 10 anos foram feitos de felicidade, partilha e doação…
Esta história é a nossa história…
De todos…
Dos que passaram, dos que ficaram, dos que estão… todos… sem exepção… OBRIGADA
Como escreveu Saramago:
“Sempre chegamos onde nos esperam” e se chegamos aqui… é porque eramos esperados…
Sejam felizes…
Muito felizes…
E sempre que a memória trouxer o CRIAR AFECTOS… que essa lembrança seja sempre acompanhada de um grande sorriso e uma enorme alegria no coração…
Se era possível viver sem CRIAR AFECTOS?
Eu digo… que não…
Obrigada por tudo