DÁVIDA
Deram-me vida, cresci
Deram-me à luz, pariram-me
Deram-me uma nalgada, chorei
Deram-me banho, estava sujo
Deram-me roupa, tinha frio
Deram-me mama, mamei tinha fome
Deram-me cama, tinha sono dormi
Deram-me espaço, onde viver
Deram-me uma família excelente, aceitei
Deram-me mimo tantas vezes, adorei
Deram-me carinho vezes sem conta, retribui
Deram-me vizinhos, excelentes
Deram-me amigos, muitos e bons
Deram-me palmadas, merecidas
Deram-me veredas, por elas caminhei
Deram-me escolas, onde aprendi
Deram-me reguadas, quando merecidas
Deram-me ardósia, nela escrevi
Deram-me livros, que li
Deram-me trabalho, trabalhei
Deram-me ordenado, pequeno quanto baste
Deram-me sociedade, não muito justa
Deram-me liberdade, alguma
Deram-me oportunidades, aproveitei-as
Deram-me esposa, casei
Deram-me filhos, adoro-os
Deram-me o neto, uma benção
Deram-me tudo, estou grato.
Darei em em paga, meu corpo para cremação.
Mem Martins, 10-11-2015 Francisco Parreira
quarta-feira, 4 de maio de 2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
quarta-feira, 27 de abril de 2016
quinta-feira, 21 de abril de 2016
sábado, 5 de março de 2016
Realmente, até onde vai o radicalismo islâmico, ou a imbecilidade muçulmana.
OS TOMATES ESTÃO INTERDITOS PELOS MUÇULMANOS RADICAIS.
Einstein dizia-o com todo o seu bom senso: “ É a estupidez humana que dá a melhor ideia de infinito “.
E tinha razão !
Um grupo de muçulmanos extremistas começaram a incitar todos os muçulmanos do Mundo inteiro para nunca mais consumirem tomates, dado terem sido classificados como “alimentos cristãos” porque, quando cortado em duas metades, o seu interior tem a forma de uma cruz.
Vejam a mensagem difundida nas redes sociais islâmicas:
" Comer tomates é interdito porque os tomates são cristãos. O tomate louva a cruz em vez de Deus e diz que Deus compreende três pessoas(em referência à Santíssima Trindade).Na Palestina há um mullah que teve uma visão do Profeta Maomé chorando, e prevenindo todos os muçulmanos para que párem de comer tomates. Se não divulgarem esta mensagem é porque o diabo vos impediu. “
Eis o objecto do delito, ou melhor, o objecto do delírio paranóico e imbecil.
Ao ritmo em que marcham os muçulmanos burros e estúpidos, já nada mais poderá surpreender-nos. Mas esta, é realmente muito fora do comum. Não há meio de estes imbecis porem fim à sua estupidez anti-cristã.
O carácter internacionalista do povo português:
Se tem um problema intrincado, vê-se grego;
Se não compreende alguma coisa, aquilo é chinês;
Se trabalha de manhã à noite, trabalha como um mouro;
Se vê uma invenção moderna, é uma americanice;
Se alguém fala muito depressa, fala como um espanhol;
Se alguém vive com luxo, vive à grande e à francesa;
Se alguém quer causar boa impressão, é só para inglês ver;
Se alguém tenta regatear um preço, é pior que um cigano;
Se alguém é agarrado ao dinheiro, é pior que um judeu;
Se vê alguém a divertir-se, está a gozar que nem um preto;
Se vê alguém com um fato claro vestido, parece um brasileiro;
Se vê uma loura alta e bonita, parece uma autêntica sueca;
Se quer um café curtinho, pede uma italiana;
Se vê horários a serem cumpridos, trata-se de pontualidade britânica;
Se vê um militar bem fardado, parece um soldado alemão;
Se uma máquina funciona bem, é como um relógio suíço;
Mas quando alguma coisa corre mal, é "à portuguesa".....
sexta-feira, 4 de março de 2016
Sua Excelência o Galo
Ao contrário do que diz o povo, não é qualquer um que canta de galo, porque só canta de galo quem é galo. E ser galo é um projecto de vida a tempo inteiro, que exige do próprio um permanente exercício de exaltação da mais pequena ou insignificante característica que possa parecer-se com uma virtude.
Um galo colocado no poleiro de uma empresa vai pensar que está numa capoeira e apostará permanentemente em mostrar a plumagem, fazer ouvir a cantoria, impressionar as galinhas e assustar os concorrentes.
Por definição, um galo empresarial aparece sempre muito engomado, a caminhar na ponta dos pés e olhando para o infinito como se estivesse a posar para a História ou para o pincel de Velasquez.
Particularmente anedóticas são as suas aparições televisivas ou os seus discursos formais, por se tratarem de intervenções geralmente desproporcionadas no tom e demasiado livres no conteúdo. A sua maior preocupação é parecer bem e ser fluente, ainda que discorra com incontrita ignorância ou notória superficialidade sobre tudo e mais qualquer coisa.
Não raramente, o galo é brilhante. Quer isto dizer que o galo brilha realmente, sobretudo quando se veste de cerimónia e cede à tentação do colorido. Ouvi-lo cantar até dá gosto, desde que não desafine e não exagere no gargarejo. Apreciar a sua capacidade para cobrir com gesto grave ou ademanes gráceis a vacuidade intelectual é, só por si, um espectáculo estimulante.
O galo empresarial português é um galo típico – tem sempre muitos projectos em carteira, planeia profundíssimas revoluções sociais, anuncia conquistas futuras com exagerada antecipação, mas fá-lo porque quer assegurar que ninguém vai assustar-se com o estrondo do seu fracasso.
No íntimo, o galo português é um herói em projecto, alguém que sabe perfeitamente o que deveria fazer para ser Grande, mas que prefere deixar aos outros a oportunidade de realizarem as minudências da vida sem a sua devastadora competição. Naquela linha de raciocínio do «agarrem-me, senão vou-me a eles», o nosso galo é um clássico da bazófia, um mártir das dificuldades invisíveis, uma vítima da conspiração universal.
Na gestão das empresas portuguesas os galos medram no primeiro ano do mandato e estoiram nos seguintes, indo estiolar até à reforma em discreto poleiro, depois de coleccionarem histórias mal contadas e números desleixados.
Costumam dar bons entertainers de sopeiras e secretárias, podendo também ajudar como bibliotecários ou relações públicas em fundações e obras de benemerência. Mas nunca os utilizem para gerir negócios sérios, porque correm o risco de terem a vossa reputação manchada pelos tremeliques da crista do vosso protegido.
O galo lusitano é uma ave doméstica, não é um galo selvagem armado de esporões e preparado para sangrar adversários num semi-círculo desenhado no terreiro manhoso da clandestinidade. Gosta de comida a horas e água lavada e se tiver de esgravatar fá-lo-á com luvas brancas e pose científica,como se o esforço carecesse de manual técnico.
O galo português é egoísta, antipático, arrogante e briguento. Tanto discute a validade de um golo no futebol como a honra da vizinha no café da vila. Completamente desinteressado das opiniões e sentimentos alheios, fere susceptibilidades como quem golpeia pecados com a cruz. É um radical
chique ou, simplificando, um malcriado.
Consequência natural da sua personalidade, o galo é desconfiado, nomeando-se a si mesmo como melhor amigo. Tem, por isso, alguma dificuldade em ouvir a opinião dos outros ou atender a argumentos de bom senso, sobretudo quando lhe parece que o comentário pode conter uma censura à sua pessoa.
Por impulso e por inconsistência, o galo é um gastador. Centrado na aparência e no efeito social da acção, o galo desperdiçará o dinheiro que lhe vier ao bico com enorme rapidez e total falta de razão.
Perderá o seu e o alheio por erro e vaidade, incapaz de notar a iminência do desastre por miopia e tolice.
É provável que o galo aprecie a companhia de galinhas, sobretudo se elas lhe retribuírem uma imagem de cavalheiro amável e galanteador, sem procurarem o confronto intelectual ou detectarem as insuficiências.
No mundo empresarial português há ainda que distinguir dentro da espécie três categorias: os galos propriamente ditos, os galarós e os garnizés.
Os galos propriamente ditos são aqueles que, apesar de todos os defeitos, conseguem aguentar-se fora da grelha ou da panela, envelhecendo suficientemente as carnes para poderem persistir nas tolices. Muitos acabam por transformar-se em aves relativamente divertidas ou simpáticas, conquistando lugares decorativos nas capoeiras da abundância, com proprietários tolerantes.
Os galarós são os galos jovens que começam como grandes esperanças, rapidamente se promovem a génios e repentinamente caem às mãos de cozinheiro impiedoso, que deles faz canja saborosa ou churrasco perfumado.
Os garnizés são galos que envelhecem mas não crescem, mantendo eternamente aquele ar gaiato e progressivamente mais ridículo, de quem não se dá conta que há uma contradição crescente entre o seu tamanho e a dimensão do Mundo.
Em conjunto, galos, galarós e garnizés asseguram um ambiente razoavelmente kitch em alguns dos mais importantes conselhos de administração e ministérios da Pátria a que chamamos Portugal.
Ao contrário do que diz o povo, não é qualquer um que canta de galo, porque só canta de galo quem é galo. E ser galo é um projecto de vida a tempo inteiro, que exige do próprio um permanente exercício de exaltação da mais pequena ou insignificante característica que possa parecer-se com uma virtude.
Um galo colocado no poleiro de uma empresa vai pensar que está numa capoeira e apostará permanentemente em mostrar a plumagem, fazer ouvir a cantoria, impressionar as galinhas e assustar os concorrentes.
Por definição, um galo empresarial aparece sempre muito engomado, a caminhar na ponta dos pés e olhando para o infinito como se estivesse a posar para a História ou para o pincel de Velasquez.
Particularmente anedóticas são as suas aparições televisivas ou os seus discursos formais, por se tratarem de intervenções geralmente desproporcionadas no tom e demasiado livres no conteúdo. A sua maior preocupação é parecer bem e ser fluente, ainda que discorra com incontrita ignorância ou notória superficialidade sobre tudo e mais qualquer coisa.
Não raramente, o galo é brilhante. Quer isto dizer que o galo brilha realmente, sobretudo quando se veste de cerimónia e cede à tentação do colorido. Ouvi-lo cantar até dá gosto, desde que não desafine e não exagere no gargarejo. Apreciar a sua capacidade para cobrir com gesto grave ou ademanes gráceis a vacuidade intelectual é, só por si, um espectáculo estimulante.
O galo empresarial português é um galo típico – tem sempre muitos projectos em carteira, planeia profundíssimas revoluções sociais, anuncia conquistas futuras com exagerada antecipação, mas fá-lo porque quer assegurar que ninguém vai assustar-se com o estrondo do seu fracasso.
No íntimo, o galo português é um herói em projecto, alguém que sabe perfeitamente o que deveria fazer para ser Grande, mas que prefere deixar aos outros a oportunidade de realizarem as minudências da vida sem a sua devastadora competição. Naquela linha de raciocínio do «agarrem-me, senão vou-me a eles», o nosso galo é um clássico da bazófia, um mártir das dificuldades invisíveis, uma vítima da conspiração universal.
Na gestão das empresas portuguesas os galos medram no primeiro ano do mandato e estoiram nos seguintes, indo estiolar até à reforma em discreto poleiro, depois de coleccionarem histórias mal contadas e números desleixados.
Costumam dar bons entertainers de sopeiras e secretárias, podendo também ajudar como bibliotecários ou relações públicas em fundações e obras de benemerência. Mas nunca os utilizem para gerir negócios sérios, porque correm o risco de terem a vossa reputação manchada pelos tremeliques da crista do vosso protegido.
O galo lusitano é uma ave doméstica, não é um galo selvagem armado de esporões e preparado para sangrar adversários num semi-círculo desenhado no terreiro manhoso da clandestinidade. Gosta de comida a horas e água lavada e se tiver de esgravatar fá-lo-á com luvas brancas e pose científica,como se o esforço carecesse de manual técnico.
O galo português é egoísta, antipático, arrogante e briguento. Tanto discute a validade de um golo no futebol como a honra da vizinha no café da vila. Completamente desinteressado das opiniões e sentimentos alheios, fere susceptibilidades como quem golpeia pecados com a cruz. É um radical
chique ou, simplificando, um malcriado.
Consequência natural da sua personalidade, o galo é desconfiado, nomeando-se a si mesmo como melhor amigo. Tem, por isso, alguma dificuldade em ouvir a opinião dos outros ou atender a argumentos de bom senso, sobretudo quando lhe parece que o comentário pode conter uma censura à sua pessoa.
Por impulso e por inconsistência, o galo é um gastador. Centrado na aparência e no efeito social da acção, o galo desperdiçará o dinheiro que lhe vier ao bico com enorme rapidez e total falta de razão.
Perderá o seu e o alheio por erro e vaidade, incapaz de notar a iminência do desastre por miopia e tolice.
É provável que o galo aprecie a companhia de galinhas, sobretudo se elas lhe retribuírem uma imagem de cavalheiro amável e galanteador, sem procurarem o confronto intelectual ou detectarem as insuficiências.
No mundo empresarial português há ainda que distinguir dentro da espécie três categorias: os galos propriamente ditos, os galarós e os garnizés.
Os galos propriamente ditos são aqueles que, apesar de todos os defeitos, conseguem aguentar-se fora da grelha ou da panela, envelhecendo suficientemente as carnes para poderem persistir nas tolices. Muitos acabam por transformar-se em aves relativamente divertidas ou simpáticas, conquistando lugares decorativos nas capoeiras da abundância, com proprietários tolerantes.
Os galarós são os galos jovens que começam como grandes esperanças, rapidamente se promovem a génios e repentinamente caem às mãos de cozinheiro impiedoso, que deles faz canja saborosa ou churrasco perfumado.
Os garnizés são galos que envelhecem mas não crescem, mantendo eternamente aquele ar gaiato e progressivamente mais ridículo, de quem não se dá conta que há uma contradição crescente entre o seu tamanho e a dimensão do Mundo.
Em conjunto, galos, galarós e garnizés asseguram um ambiente razoavelmente kitch em alguns dos mais importantes conselhos de administração e ministérios da Pátria a que chamamos Portugal.
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