sexta-feira, 2 de março de 2018

TOURADA
DE 
ARY DOS SANTOS
Não importa sol ou sombra 
camarotes ou barreiras 
toureamos ombro a ombro 
as feras. 
Ninguém nos leva ao engano 
toureamos mano a mano 
só nos podem causar dano 
espera. 

Entram guizos chocas e capotes 
e mantilhas pretas 
entram espadas chifres e derrotes 
e alguns poetas 
entram bravos cravos e dichotes 
porque tudo o mais 
são tretas. 

Entram vacas depois dos forcados 
que não pegam nada. 
Soam brados e olés dos nabos 
que não pagam nada 
e só ficam os peões de brega 
cuja profissão 
não pega. 

Com bandarilhas de esperança 
afugentamos a fera 
estamos na praça 
da Primavera. 

Nós vamos pegar o mundo 
pelos cornos da desgraça 
e fazermos da tristeza 
graça. 

Entram velhas doidas e turistas 
entram excursões 
entram benefícios e cronistas 
entram aldrabões 
entram marialvas e coristas 
entram galifões 
de crista. 

Entram cavaleiros à garupa 
do seu heroísmo 
entra aquela música maluca 
do passodoblismo 
entra a aficionada e a caduca 
mais o snobismo 
e cismo... 

Entram empresários moralistas 
entram frustrações 
entram antiquários e fadistas 
e contradições 
e entra muito dólar muita gente 
que dá lucro as milhões. 

E diz o inteligente 
que acabaram asa canções

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Utilização da letra " P "

Por pouco pensar pequei,
Pelas palavras proferidas,
Perdão preguiçando peço,
Pelas palestras proferidas.
FMBP 28-02-2018.    

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Eis a tabela das mulheres ''mais'':
A mulher mais abençoada é a Benta,
A mulher mais perfumada é a Rosa,
A mulher mais madrugadora é a Aurora,
A mulher mais feliz é a Felicidade,
A mulher mais triunfante é a Vitória,
A mulher mais duradora é a Perpétua,
A mulher mais piedosa é a Piedade,
A mulher mais bonita é a Graciosa,
A mulher mais casta é a Pureza,
A mulher mais limpa é a Branca,
A mulher mais recatada é a Modesta, ,
A mulher mais sofredora é a Dores,
A mulher mais cruel é a Bárbara,
A mulher mais transparente é a Clara,
A mulher mais valiosa é a Esmeralda,
A mulher que mais reza é a Rosário,
A mulher com mais poder de cura é a Sara,
A mais interessante é sempre a do vizinho
E a mais aborrecida é sempre a nossa

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

       
NASCIMENTO
                               

Naquele mês de Junho,
Falando à linda Moça,
De baptismo Marisa,
Descreveu a solidão,
Aquela freguesa abandonada,
Idosa desmotivada,
Sem qualquer ocupação,
falou ali uma só vez,
Naquele lugar certeiro,
Despertando a mente jovem,
A procurar certo o parceiro,
Presidente Filipe Santos,
Juntos os dois à secretária,
Trabalharam no concreto,
Acordaram as condições,
Numa gestação certeira,
Para nove meses depois,
Com bênção de Santa Apolónia, 
Nascer a linda criança,
Tímida mas audaz,
Um valente rapaz,
Com medida e peso certos,
Logo ali o baptizaram,
Projecto Criar Afectos.


Francisco Parreira
Rio de Mouro 11-01-2018.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Testo de António Barreto           - simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.
Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.
Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.
Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.
É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não hácomentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. Arte? Um director-geral chega.
Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.
A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.
Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.
A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu melhor!
Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico