domingo, 4 de maio de 2025

Podcast

 https://www.facebook.com/100046664727159/videos/1039693781366682


1) seleciona-se endereço.

2) clica-se com botão direito do rato para abrir janela, na janela clica-se em endereço e abre no Facebook.

domingo, 13 de abril de 2025

Texto de Dra Marisa Pereira

 

Publicações do Feed de Notícias

Uscarm Criar Afectos texto da Dra Marisa Pereira.

2 h 
Miguel Torga - Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes)
Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade, e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe, como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.
Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas, hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida pela mão inexorável dum Deus criador e dominador. Tudo parado e mudo. Apenas se move e se faz ouvir o coração no peito, inquieto, a anunciar o começo duma grande hora. De repente, rasga a crosta do silêncio uma voz de franqueza desembainhada:
- Para cá do Marão, mandam os que cá estão!...
Sente-se um calafrio. A vista alarga-se de ânsia e de assombro. Que penedo falou? Que terror respeitoso se apodera de nós?
Mas de nada vale interrogar o grande oceano megalítico, porque o nume invisível ordena:
- Entre!
A gente entra, e já está no Reino Maravilhoso.
A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que oficialmente vai de Vila Real a Chaves, de Chaves a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Régua.
Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.
Não se vê por que maneira este solo é capaz de dar pão e vinho. Mas dá. Nas margens de um rio de oiro, crucificado entre o calor do céu que de cima o bebe e a sede do leito que de baixo o seca, erguem-se os muros do milagre. Em íngremes socalcos, varandins que nenhum palácio aveza, crescem as cepas como os manjericos às janelas. No Setembro, os homens deixam as eiras da Terra-Fria e descem, em rogas, a escadaria do lagar de xisto. Cantam, dançam e trabalham. Depois sobem. E daí a pouco há sol engarrafado a embebedar os quatro cantos do mundo.
A terra é a própria generosidade ao natural. Como num paraíso, basta estender a mão.
Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:
- Entre quem é! Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.
Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.
Dentro ou fora do seu dólmen (maneira que eu tenho de chamar aos buracos onde vive a maioria) estes homens não têm medo senão da pequenez. Medo de ficarem aquém do estalão por onde, desde que o mundo é mundo, se mede à hora da morte o tamanho de uma criatura.
Acossados pela necessidade e pelo amor da aventura emigram. Metem toda a quimera numa saca de retalhos, e lá vão eles. Os que ficam, cavam a vida inteira. E, quando se cansam, deitam-se no caixão com a serenidade de quem chega honradamente ao fim dum longo e trabalhoso dia.
O nome de Trasmontano, que quer dizer filho de Trás-os-Montes, pois assim se chama o Reino Maravilhoso de que vos falei

terça-feira, 18 de junho de 2024

 

Carta a uma amiga

Excelentíssima senhora e

 Caríssima amiga Gracinda

 

Caríssima amiga o nosso contacto tem sido restringido a este espaço de afeto universitário a USCARM, onde todos nos sentimos bem e seguros e ao qual também chamamos porto de abrigo.

Nesta Universidade Sénior nós participamos a mesma aula, e, provavelmente quando a colega me foi apresentada, eu devia estar aéreo, o que não é raro acontecer-me, só retive o primeiro nome, do qual gosto muito.

Ao longo do ano escolar reparei, que adoras a praia, gostas de escrever e ler tanto testo como poesia, gosto de te ouvir ler, sempre pausada e as palavras ditas com dicção.

Não sei de que flores mais gostas, como todas as senhoras gostam de rosas, são essas que te dedico.

Como sempre que falo em rosas ou escrevo esta palavra, recordo-me da minha avó materna, vou contar-te uma pequena história, ela para os vizinhos era a vizinha Rosa, para os filhos a mãe Rosa, para os netos a avó Rosa.

Depois de tantos anos a dizer avó Rosa, foi para mim uma grande surpresa, quando fui arrumar os papeis deixados pela minha mãe, após cumprir a missão terrena, onde encontrei a sua cédula e nela constava que era filha de Maria José, de onde veio o nome de Rosa, ninguém houve que me soubesse explicar a sua origem e que ficará comigo sem nunca ser explicado.

Tal como a colega sou um reformado e estudante universitário.

Chamo-me Francisco Parreira, natural de Santiago do Cacem, Baixo Alentejo e moro aqui no Rio de Mouro desde 15 de abril de 1963.

Não esperavas receber esta carta de um quase desconhecido, mas as rifas são assim e a colega que me saiu na rifa foi a: GRACINDA.

Rio de Mouro ,08-05-2024 - Francisco Parreira

quarta-feira, 1 de maio de 2024

SÓ EM PORTUGAL

Um ex-primeiro Ministro oriental,

Um Primeiro Ministro rural,

Um presidente genial,

Tudo isto só em Portugal.

Da boca de um professor,

 Estas palavras ouvir,

Tal nunca esperei,

A todos fizeram rir.

Palavras ditas cinquenta 

Anos após a revolução,

Que derrubou uma ditadura,

Que tanto atrazou a Nação.

A Ditadura Nacional desde 1926,

Renomada Estado Novo,

Vestindo nova roupagem,

Sempre amordaçando o povo.

Povo sem alegria,

Habitando este torrão,

Com mais antigas fronteiras,

Benvinda foi esta revolução.

Que nos trouxe paz,

Direitos, liberdade e igualdade,

Para viver na livre sociedade.

Rio de Mouro, 25-04-2024

Francisco Parreira.

sexta-feira, 26 de abril de 2024

texto de Marisa Pereira

 50 anos de Liberdade

Daquela madrugada que Sophia esperava... e que os capitães de Abril nos deram...
50 anos de um país que soube fazer uma revolução sem armas...
50 anos de cravos na espingarda... que viraram símbolo de um dia feliz...
50 anos de lutas e avanços...
50 anos para se falar, pensar, agir livremente...
50 anos de Portugal Livre..
Que seja Abril, sempre!
Nasci filha da liberdade ...
Nasci livre...
Como um pássaro sem gaiola...
Sempre vivi com ela...
Nem sei se saberia viver de outra maneira.
Daqueles tempos não tenho memória...
Mas a História... ficará sempre.
Do que estudei... do que ouvi...
Ficará a certeza que aquele dia mudou para sempre o rumo do meu país.
Deste país que amo...
Que me permitiu ser criança, adolescente e me deixa ser mulher livre...
Que todos os dias possamos trazer às nossas acções a luta por um país livre... sem amarras...
Que nada nem ninguém consiga voltar atrás...
Que o caminho seja sempre em frente e em liberdade...
O Abril de um povo... que unido jamais será vencido..

quarta-feira, 24 de abril de 2024

 Aquele abril 

Aquele abril de 1974- 25,

Á quinta-feira calhou,

Após na rádio a canção do sinal,

Ninguém mais parou,

Aqueles audazes militares,

Com destinos concretos,

Em todas as direções,

Ocuparam os lugares certos,

Tomaram certas as posições,

Do trono apearam a PIDE,

Abriram as portas às prisões,

Libertaram presos políticos,

Torturados noite e dia,

Foram momentos únicos,

Horas de tanta alegria.

Os audazes e destemidos

Militares em ação,

Com saber e arte,

Fizeram a revolução.

Uma revolução de cravos,

Vermelhos, nas ruas, lapelas

E canos das espingardas,

Eram imagens tão belas. 

Ver o povo assim alegre,

Fazer uníssona ovação,

Aos valentes militares,

Envolvidos na revolução.

Em liberdade gritavam,

O povo é quem mais ordena,

Dentro de to ó cidade,

Grândola vila morena.

O povo sem medo bradava,

Fascistas para a prisão,

Viva o MFA,

Que libertou a Nação. 

Rio de Mouro 27-03-2024

Francisco Parreira.

 ABRIL DE SIM ABRIL DE NÃO


Eu vi abril por fora e abril por dentro

Vi o abrril que foi e o abril de agora

Eu vi o abril em festa e abril lamento

Abril com quem ri como quem chora.


Eu vi chorar abril e abril partir 

Vi o abril de sim e abril de não

Abril que já nõ é abril por vir.


Vi o abril que ganha e abril que perde

Abril que foi abril e o que não foi

Eu vi abril de ser e de não ser.


Abril de abril vestido (Abril tão verde)

Abril de abril despido (abril que doi)

abeil já feito. E abril por fazer.


poema de Manuel Alegre

Rio de Mouro 24-04-2024

Francisco Parreira, lido hoje na USCARM.