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Carta a uma amiga
Excelentíssima senhora e
Caríssima amiga Gracinda
Caríssima
amiga o nosso contacto tem sido restringido a este espaço de afeto
universitário a USCARM, onde todos nos sentimos bem e seguros e ao qual também
chamamos porto de abrigo.
Nesta Universidade
Sénior nós participamos a mesma aula, e, provavelmente quando a colega me foi
apresentada, eu devia estar aéreo, o que não é raro acontecer-me, só retive o
primeiro nome, do qual gosto muito.
Ao longo do
ano escolar reparei, que adoras a praia, gostas de escrever e ler tanto testo
como poesia, gosto de te ouvir ler, sempre pausada e as palavras ditas com
dicção.
Não sei de
que flores mais gostas, como todas as senhoras gostam de rosas, são essas que
te dedico.
Como sempre
que falo em rosas ou escrevo esta palavra, recordo-me da minha avó materna, vou
contar-te uma pequena história, ela para os vizinhos era a vizinha Rosa, para
os filhos a mãe Rosa, para os netos a avó Rosa.
Depois de
tantos anos a dizer avó Rosa, foi para mim uma grande surpresa, quando fui
arrumar os papeis deixados pela minha mãe, após cumprir a missão terrena, onde
encontrei a sua cédula e nela constava que era filha de Maria José, de onde
veio o nome de Rosa, ninguém houve que me soubesse explicar a sua origem e que
ficará comigo sem nunca ser explicado.
Tal como a
colega sou um reformado e estudante universitário.
Chamo-me
Francisco Parreira, natural de Santiago do Cacem, Baixo Alentejo e moro aqui no
Rio de Mouro desde 15 de abril de 1963.
Não
esperavas receber esta carta de um quase desconhecido, mas as rifas são assim e
a colega que me saiu na rifa foi a: GRACINDA.
Rio de Mouro
,08-05-2024 - Francisco Parreira
SÓ EM PORTUGAL
Um ex-primeiro Ministro oriental,
Um Primeiro Ministro rural,
Um presidente genial,
Tudo isto só em Portugal.
Da boca de um professor,
Estas palavras ouvir,
Tal nunca esperei,
A todos fizeram rir.
Palavras ditas cinquenta
Anos após a revolução,
Que derrubou uma ditadura,
Que tanto atrazou a Nação.
A Ditadura Nacional desde 1926,
Renomada Estado Novo,
Vestindo nova roupagem,
Sempre amordaçando o povo.
Povo sem alegria,
Habitando este torrão,
Com mais antigas fronteiras,
Benvinda foi esta revolução.
Que nos trouxe paz,
Direitos, liberdade e igualdade,
Para viver na livre sociedade.
Rio de Mouro, 25-04-2024
Francisco Parreira.
texto de Marisa Pereira
50 anos de Liberdade
Aquele abril
Aquele abril
de 1974- 25,
Á
quinta-feira calhou,
Após na
rádio a canção do sinal,
Ninguém mais
parou,
Aqueles
audazes militares,
Com destinos
concretos,
Em todas as
direções,
Ocuparam os
lugares certos,
Tomaram
certas as posições,
Do trono
apearam a PIDE,
Abriram as
portas às prisões,
Libertaram
presos políticos,
Torturados
noite e dia,
Foram
momentos únicos,
Horas de
tanta alegria.
Os audazes e
destemidos
Militares em
ação,
Com saber e
arte,
Fizeram a
revolução.
Uma
revolução de cravos,
Vermelhos,
nas ruas, lapelas
E canos das
espingardas,
Eram imagens tão belas.
Ver o povo
assim alegre,
Fazer
uníssona ovação,
Aos valentes
militares,
Envolvidos
na revolução.
Em liberdade
gritavam,
O povo é
quem mais ordena,
Dentro de to
ó cidade,
Grândola
vila morena.
O povo sem
medo bradava,
Fascistas
para a prisão,
Viva o MFA,
Que libertou a Nação.
Rio de Mouro
27-03-2024
ABRIL DE SIM ABRIL DE NÃO
Eu vi abril por fora e abril por dentro
Vi o abrril que foi e o abril de agora
Eu vi o abril em festa e abril lamento
Abril com quem ri como quem chora.
Eu vi chorar abril e abril partir
Vi o abril de sim e abril de não
Abril que já nõ é abril por vir.
Vi o abril que ganha e abril que perde
Abril que foi abril e o que não foi
Eu vi abril de ser e de não ser.
Abril de abril vestido (Abril tão verde)
Abril de abril despido (abril que doi)
abeil já feito. E abril por fazer.
poema de Manuel Alegre
Rio de Mouro 24-04-2024
Francisco Parreira, lido hoje na USCARM.