quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

       
NASCIMENTO
                               

Naquele mês de Junho,
Falando à linda Moça,
De baptismo Marisa,
Descreveu a solidão,
Aquela freguesa abandonada,
Idosa desmotivada,
Sem qualquer ocupação,
falou ali uma só vez,
Naquele lugar certeiro,
Despertando a mente jovem,
A procurar certo o parceiro,
Presidente Filipe Santos,
Juntos os dois à secretária,
Trabalharam no concreto,
Acordaram as condições,
Numa gestação certeira,
Para nove meses depois,
Com bênção de Santa Apolónia, 
Nascer a linda criança,
Tímida mas audaz,
Um valente rapaz,
Com medida e peso certos,
Logo ali o baptizaram,
Projecto Criar Afectos.


Francisco Parreira
Rio de Mouro 11-01-2018.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Testo de António Barreto           - simplesmente desmoralizante. Ver e ouvir os serviços de notícias das três ou quatro estações de televisão é pena capital. A banalidade reina. O lugar-comum impera. A linguagem é automática. A preguiça é virtude. O tosco é arte. A brutalidade passa por emoção. A vulgaridade é sinal de verdade. A boçalidade é prova do que é genuíno. A submissão ao poder e aos partidos é democracia. A falta de cultura e de inteligência é isenção profissional.
Os serviços de notícias de uma hora ou hora e meia, às vezes duas, quase únicos no mundo, são assim porque não se pode gastar dinheiro, não se quer ou não sabe trabalhar na redacção, porque não há quem estude nem quem pense. Os alinhamentos são idênticos de canal para canal. Quem marca a agenda dos noticiários são os partidos, os ministros e os treinadores de futebol. Quem estabelece os horários são as conferências de imprensa, as inaugurações, as visitas de ministros e os jogadores de futebol.
Os directos excitantes, sem matéria de excitação, são a jóia de qualquer serviço. Por tudo e nada, sai um directo. Figurão no aeroporto, comboio atrasado, treinador de futebol maldisposto, incêndio numa floresta, assassinato de criança e acidente com camião: sai um directo, com jornalista aprendiz a falar como se estivesse no meio da guerra civil, a fim de dar emoção e fazer humano.
Jornalistas em directo gaguejam palavreado sobre qualquer assunto: importante e humano é o directo, não editado, não pensado, não trabalhado, inculto, mal dito, mal soletrado, mal organizado, inútil, vago e vazio, mas sempre dito de um só fôlego para dar emoção! Repetem-se quilómetros de filme e horas de conversa tosca sobre incêndios de florestas e futebol. É o reino da preguiça e da estupidez.
É absoluto o desprezo por tudo quanto é estrangeiro, a não ser que haja muitos mortos e algum terrorismo pelo caminho. As questões políticas internacionais quase não existem ou são despejadas no fim. Outras, incluindo científicas e artísticas, são esquecidas. Quase não hácomentadores isentos, ou especialistas competentes, mas há partidários fixos e políticos no activo, autarcas, deputados, o que for, incluindo políticos na reserva, políticos na espera e candidatos a qualquer coisa! Cultura? Será o ministro da dita. Ciência? Vai ser o secretário de Estado respectivo. Arte? Um director-geral chega.
Repetem-se as cenas pungentes, com lágrima de mãe, choro de criança, esgares de pai e tremores de voz de toda a gente. Não há respeito pela privacidade. Não há decoro nem pudor. Tudo em nome da informação em directo. Tudo supostamente por uma informação humanizada, quando o que se faz é puramente selvagem e predador. Assassinatos de familiares, raptos de crianças e mulheres, infanticídios, uxoricídios e outros homicídios ocupam horas de serviços.
A falta de critério profissional, inteligente e culto é proverbial. Qualquer tema importante, assunto de relevo ou notícia interessante pode ser interrompido por um treinador que fala, um jogador que chega, um futebolista que rosna ou um adepto que divaga.
Procuram-se presidentes e ministros nos corredores dos palácios, à entrada de tascas, à saída de reuniões e à porta de inaugurações. Dá-se a palavra passivamente a tudo quanto parece ter poder, ministro de preferência, responsável partidário a seguir. Os partidos fazem as notícias, quase as lêem e comentam-nas. Um pequeno partido de menos de 10% comanda canais e serviços de notícias.
A concepção do pluralismo é de uma total indigência: se uma notícia for comentada por cinco ou seis representantes dos partidos, há pluralismo! O mesmo pode repetir-se três ou quatro vezes no mesmo serviço de notícias! É o pluralismo dos papagaios no seu melhor!
Uma consolação: nisto, governos e partidos parecem-se uns com os outros. Como os canais de televisão.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Hoje a nossa universidade faz... 3 anos!
Parabéns 
Falo do que sei, mas falo sobretudo do que sinto…
Falo de um lugar que existe… para os outros…
Falo de um lugar onde o mais importante é ser e estar…
Falo de um lugar onde os sorrisos são de superação… onde as lágrimas são de conquista…
Falo de um lugar onde existem sonhos, vontades, doação…
Falo de um lugar que reinventa histórias
Falo de um lugar que permite vida…
Falo de um lugar que mostra às pessoas as suas capacidades…
Falo de um lugar que possibilita cumprir sonhos…
Falo de um lugar onde os olhos brilham…
Falo de um lugar onde a capacidade de ser feliz por pequenas coisas… existe
Falo de um lugar onde a vida acontece porque todos queremos…
Falo de um lugar a que se dedicam muitas pessoas…
Falo de um lugar onde se aprende… se dá e se recebe mais ainda…
Podia dizer muitas palavras…
Mas nunca conseguiria demonstrar o que se vive… o que se sente…
Porque só percebe quem vive…
Só percebe quem sente…
Só percebe quem é USCARM

sábado, 16 de setembro de 2017

Porque quase tudo é possível
Porque as verdades doem,
Porque podem fazer mossa,
Porque sou emigrante aqui,
Porque penso livre, sem rede, sem balizas,
Porque sou político, somos todos um pouco,
Porque não milito em nenhum partido,
Porque não sou a engrenagem,
Porque estou integrado nela,
Porque vem aí a campanha política eleitoral,
Porque vamos ter eleições,
Porque são muito importantes para todos nós,
Porque o meu olhar registrado,
Porque o meu pensamento escrito,
Porque podem ser conotados com política,
Porque podem ser criticados e devem,
Porque podem ser censurados, o que não seria inédito,
Porque não tenho algum interesse antecipado na manutenção ou na mudança,
Porque os temas agora são dos gladiadores políticos profissionais, e,
Porque sei ver, ouvir e calar, é isso que vou tentar fazer em relação a política, até ao próximo ato eleitoral.

Francisco Parreira 16-09-2017

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O alentejano mais pobre da aldeia só tinha uma bicicleta, mas um dia aparece no Café Central com um descapotável.
Admirados, perguntam os conterrâneos:
'Atão cumpadri, onde arranjou esse carrinho?'
 
'Nem calculam! Na estrada vi uma moça, por acaso bem jeitosa, a chorar e perguntê 'o que é que se passa?' Atão ela disse-me 'veja lá, um carrinho tão novo e já avariado!'. Atão, abri o motor, liguê dois fios e pronto! O carro estava arranjado. Atão ela puxou-me para trás de um chaparro,despiu-se toda e disse-me 'para pagar o trabalho que o senhor teve, faça o que  quiser!'. E eu fiz o que quis, meti-me no carro e abalê com ele.' 

Em coro, respondem os outros:
'E vossemecê fez muito bem. De certeza que a roupa também nã lhe servia...'